quarta-feira, junho 22

Para ti

Sofri. Como qualquer ser humano, chorei. Em meio a corações enamorados e felizes, dissipei meu espírito em profunda dor. Quando me deixaste, corri novamente para minha toca e me escondi. De que adianta a sociedade mascarar uma aberração, se ele continuará sendo uma aberração? E, enquanto meu ser perdia-se em felicidade mascarada, meu lado obscuro adormecia.
Depois que te fostes, voltei a ser só, voltei a ser vil, voltei a desgraçar-me... Talvez não devesse ter contado todos os meus segredos a ti, talvez devesse continuar escondendo meu sotaque e meu rosto, talvez devesse não ter te dado tanta liberdade, talvez não devesse ter me entregado a esse sentimento que apunhala a todos, independente de sua força.
Mas não importa. Não importa o coração, não importam os meus olhos, não importam as minhas crenças, meus castigos, meus textos, meus pensamentos, meu sofrimento, nada importa se não consigo esquecer-te e, não importa o que aconteça e o que não aconteça também, sei que meu coração continuará batendo por ti,
sei que meus olhos continuarão a ver-te em tudo, sei que continuarei a crer que voltarás, sei que meus castigos serão por não deixar-te, sei que meus textos serão inspirados em ti, sei que meus pensamentos serão enviados a ti como cartas, sei que meu sofrimento será eterno.
E se minha figura aparecesse em tua fronte? O que farias? Fugiria dessa assombração ou me abraçaria e diria que me ama? Correria para longe ou correria para ter comigo? Te cegarias ou não piscaria pra não deixar de ver-me? Tudo isso ainda irei descobrir, logo logo, e assim creio.

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