sábado, junho 25

Conto #2

Certo dia, enquanto degustava uma xícara de chá, um garotinho questionou-me: “por que motivo tuas vestes são negras?” Prontamente, afirmei: “sinto-me bem dessa forma.” Notei que aquele garotinho olhou-me com desprezo e, ao fim, retrucou: “que horror! Como pode sentir-se bem vestida assim? As pessoas nem notam tua presença ao passarem por aqui...” Ao que eu, já sentindo-me ofendida por aquele diálogo, proferi: “mas tu notaste, ó ser insignificante!” Ele, então, esvaiu-se para longe de mim como a água esvai para longe do fogo, ainda fitando-me de longe com aqueles pequenos olhos confusos.
Depois de refletir, senti-me angustiada por ter atingido o pequenino com aquelas palavras, porém cheguei a uma conclusão: vivemos em um mundo colorido e triste. Aos olhos de muitos, essa frase parecerá paradoxal e sem sentido, porém, para aqueles que são vítima como eu fui, será de um valor inestimável. Esse mundo não é um mundo ilusório criado por mim, e sim, um mundo palpável criado por um Big Bang. Mundo este que impõe às pessoas a sua maneira de viver e conviver. Mundo este onde as pessoas que amam o breu são vistas como satânicas ou canibais. Mundo este onde as pessoas que usam óculos são comparadas à cantores de músicas infantis. E o mais deprimente de tudo isso é que nascemos cobertos com esse maldito arco-íris embutido em nossas mentes, hipócritas, preconceituosos e vazios.
E assim seguimos vivendo, sofrendo cada vez mais com a inutilidade da mente humana, nesse infinito manto espectral, e continuaremos vivendo até que, enfim, ele exploda, nesse “mix” de cores inimagináveis e fúteis.

ps.: para César, meu mais novo amigo, que me fez refletir sobre o mundo atual. Valeu "pe lanza" xD

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