sexta-feira, junho 24

Conto

Certo dia, ao lamentar-me, vi um homem sentado à beira de um lago. Fiquei perplexa ao perceber que ele olhava para o horizonte, estupefato, como se algo o enfeitiçasse. Aproximei-me e perguntei: “O que olhas, senhor?” e ele, assustando-se com minha voz, respondeu: “estou a amar”. Pensei na triste hipótese de que aquele senhor estava louco, afinal, como estava a amar se não havia ninguém ao seu lado? Surpreendi-me quando ele disse à mim: “Já sei, és mais uma que pensa que estou ficando louco, não é? Todavia, eu amo o vento e, mesmo que não possa vê-lo fisicamente, vejo-o com os olhos da paixão, mesmo que não possa tocá-lo, abraço-o com minhas palavras e declarações de amor e, como você, eu posso senti-lo, porém isso, apenas isso, faz com que minhas emoções corram alegres por esse lugar e tragam até mim o verdadeiro sentido do amor.” Fiquei emocionada com suas palavras, que me fizeram refletir: onde está o amor que tanto se conjura? Onde estão os sentimentos bons, os carinhos, as delicadezas? Onde estão os seres humanos apaixonados que fazem de tudo por amor? Penso que todos nós deveríamos aprender com aquele senhor que, embora velho, não desistiu de sua paixão em nenhum momento, e continuava ali. Aquele senhor que, mesmo com as dificuldades, não largava sua “amada” por nada. Então, deixo a frase: “cuide bem do seu amor, seja quem for.” E que todos sejam felizes com seus amores, independentes de onde eles estejam o do que você terá que fazer para tê-los.

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