sábado, julho 16

Nuestro


Feixes de luz atravessam minhas entranhas naquela manhã... Levanto sem sorrir, sem chorar, sem expressão alguma, apenas ponho-me de pé. Minha madrugada fora cansativa, pois meu sonho fora inacreditavelmente real... Neste sonho, tu, embora tão perto, não estavas aqui; tu, embora tão venerado, não correspondias minhas buscas; tu, embora tão correto, eras um ser tão errante. Será que não percebes que tudo que eu anseio é a tua presença? É. Tudo que eu preciso é ver-te despertar ao meu lado todas as manhãs, que passarão a ter sentido, enfim. Tudo que almejo é tomar distância da distância que te separa de mim e, assim, poder gozar da felicidade eterna contigo, ó anjo.
E ver os dias passarem assim, tão nus, deixa-me irada, porém meu interior sabe que o dia em que tu serás meu por completo chegará. O dia em que nada mais existirá: nem a distância, nem os impedimentos, nem a tristeza, tudo cessará e restará apenas o sentimento mais belo e mais importante de todos, aquele que traz consigo atos edificantes e sinceros, aquela virtude antiga conhecida por muitos como amor.
E, quando este glorioso dia chegar, nada mais fará sentido e a razão de tudo virá a tona.

sexta-feira, julho 15

Mentes tão bem


Como consegues ser tão feliz? Como consegues viver com essa máscara de aço? Como vives nessa cúpula falsária? Ah! Como mentes bem... Tua ostentação é tão verdadeira aos olhos de quem não entende... E continuo a questionar: pra quê te afogas em tuas próprias mentiras? Pra quê finges, se, quando a luz findar, tu estarás só, e a vergonha te acusará incessantemente? Ah! Como mentes bem... Afinal, inventores brilhantes têm que ser providos de Inteligência para que não sejam engolidos pelas suas próprias criações, como acontece nos filmes, e tu, ó criatura hipócrita e mesquinha, criaste um ninho tão maçante para tua metamorfose cumulativa. E como ainda consegues me ganhar com tuas histórias? Sigo sem saber...
Ah! Como mentes bem... Projeto de ser errôneo e insalubre, como mentes bem... Ensina-me!

segunda-feira, julho 11

Irreversível

Dia de festa, visto-me com qualquer roupa e vou até meu espelho. Dou a última olhada pra ver se minha apatia está bem maquiada. Saio. Chego. E logo vejo um estranho homem, de cabeça baixa, cabelos negros e longos, dedilhando algo em uma guitarra. Tomo proximidade, e, ao analisar, vejo que aquele estranho homem vivera só durante sua vida, pois tratava aquele instrumento como seu único amor, a maneira como seus dedos acariciavam o braço daquela Ibanez, com tanto afeto. O modo como o homem escutava a melodia que emanava daquelas finas cordas... Tudo aquilo mais o modo como aqueles pequenos olhos castanhos brilhavam fascinados por ela me conquistou. Me conquistou e eu, morta de admiração, caí naqueles braços e quis ser amada por ele como ele amava o instrumento. Quis ser escutada por ele com a mesma intensidade com que ele ouvia as notas musicais. Quis que ele me desejasse, quis que ele me quisesse.
Só esqueci que não posso pedir o eterno à um simples mortal. Não posso, assim como não posso pedir que macieiras deem pêras. E, talvez, perdê-lo no mundo seja inevitável, assim como aquelas lindas notas sempre perdem-se no ar... E, talvez, chorar seja inevitável, mas um anjo infeliz sempre limpa suas lágrimas e diz adeus.

Evasão

Durmo chorando e acordo com vontade de chorar. Minha amiga psicóloga diz que é depressão, mas não acho que seja tanto. É só... é só como minha vida está agora. É só que as coisas mudaram muito, de um ano pra cá. E aos poucos a ficha vai caindo, derepente eu gostava mais do jeito que as coisas eram antes. Mas é só questão de se adaptar e achar o meu caminho, como venho dizendo ad infinitum aqui.
E esse tempo também não colabora. Certo que eu adoro ficar sozinha, no frio e na chuva, mas é muito mais fácil ser feliz no verão. Com esse tempo assim melancólico, parece que não há nada melhor a fazer do que se enfiar embaixo das cobertas, ouvir Amy Lee e se entristecer por um motivo ou outro. Pelo menos entendo que garrafas e mais garrafas de vinho não vão ajudar...
Me fechar no meu mundo. Só gostar dos meus irmãos. Chorar sem motivo. Ver motivo onde não tem. Não conseguir dormir o tanto que se deve. Rasgar velhas cartas e depois se arrepender. Olhar para pequenos cortes que nunca cicatrizam e mostrar um meio sorriso de quem sabe que isso, um dia, vai passar.

quarta-feira, julho 6

Luxúria

Até ontem, nunca havia pensado em matar-te. Nunca me passara pela mente o fato de que podia ver-te morto em meus braços algum dia, pois pra mim, tu sempre fora um ser divino, imortal. E a manhã surgiu, serena, em meio aos montes que rodeavam teu lar, e eu, ali, feliz, ostentava ser um dia completamente comum, eu com minhas trevas, e tu, com tua luz branda, a iluminar minha mente e meus passos em meio a turbilhões de ossos secos minuciosamente distribuídos por entre as estacas de teu quarto...
Quando te vi despertar com o punho cerrado, os olhos fitando-me de um modo estranho, imaginei milhares de sonhos errôneos que poderiam ter te ocorrido durante a madrugada... Porém, a madrugada pouco havia afetado-te... Chegaste até mim, e, depois de segundos silenciosos, beijaste-me fervorosamente apaixonado.
Aquele beijo mostrou-me que o amor pode existir até para quem não acredita e que o vinho é sempre melhor pra quem nunca utilizou o seu cálice. Teu desejo maldito e bendito, profano e covarde, fez com que eu sentisse o imenso prazer de querer matar-te.
E assim, num ato impensado, matei-te de amores e decidi morrer ao teu lado asoberbada de paixão. Bebi de teus sentimentos realizados, aninhei-me em teus ombros, e deixei-me voar contigo por teu mundo. E, ao surpreender teus movimentos, nunca mais esfriei minha febre de amor e desejo.



Nota: Aproveitando que postei o texto hoje, envio meus parabéns ao meu querido Carlos (: que tudo de bom te acompanhe sempre... E que você continue confiando em mim e sendo tão importante na minha vida. Te adoro.