quarta-feira, julho 6

Luxúria

Até ontem, nunca havia pensado em matar-te. Nunca me passara pela mente o fato de que podia ver-te morto em meus braços algum dia, pois pra mim, tu sempre fora um ser divino, imortal. E a manhã surgiu, serena, em meio aos montes que rodeavam teu lar, e eu, ali, feliz, ostentava ser um dia completamente comum, eu com minhas trevas, e tu, com tua luz branda, a iluminar minha mente e meus passos em meio a turbilhões de ossos secos minuciosamente distribuídos por entre as estacas de teu quarto...
Quando te vi despertar com o punho cerrado, os olhos fitando-me de um modo estranho, imaginei milhares de sonhos errôneos que poderiam ter te ocorrido durante a madrugada... Porém, a madrugada pouco havia afetado-te... Chegaste até mim, e, depois de segundos silenciosos, beijaste-me fervorosamente apaixonado.
Aquele beijo mostrou-me que o amor pode existir até para quem não acredita e que o vinho é sempre melhor pra quem nunca utilizou o seu cálice. Teu desejo maldito e bendito, profano e covarde, fez com que eu sentisse o imenso prazer de querer matar-te.
E assim, num ato impensado, matei-te de amores e decidi morrer ao teu lado asoberbada de paixão. Bebi de teus sentimentos realizados, aninhei-me em teus ombros, e deixei-me voar contigo por teu mundo. E, ao surpreender teus movimentos, nunca mais esfriei minha febre de amor e desejo.



Nota: Aproveitando que postei o texto hoje, envio meus parabéns ao meu querido Carlos (: que tudo de bom te acompanhe sempre... E que você continue confiando em mim e sendo tão importante na minha vida. Te adoro.

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