Dia de festa, visto-me com qualquer roupa e vou até meu espelho. Dou a última olhada pra ver se minha apatia está bem maquiada. Saio. Chego. E logo vejo um estranho homem, de cabeça baixa, cabelos negros e longos, dedilhando algo em uma guitarra. Tomo proximidade, e, ao analisar, vejo que aquele estranho homem vivera só durante sua vida, pois tratava aquele instrumento como seu único amor, a maneira como seus dedos acariciavam o braço daquela Ibanez, com tanto afeto. O modo como o homem escutava a melodia que emanava daquelas finas cordas... Tudo aquilo mais o modo como aqueles pequenos olhos castanhos brilhavam fascinados por ela me conquistou. Me conquistou e eu, morta de admiração, caí naqueles braços e quis ser amada por ele como ele amava o instrumento. Quis ser escutada por ele com a mesma intensidade com que ele ouvia as notas musicais. Quis que ele me desejasse, quis que ele me quisesse.
Só esqueci que não posso pedir o eterno à um simples mortal. Não posso, assim como não posso pedir que macieiras deem pêras. E, talvez, perdê-lo no mundo seja inevitável, assim como aquelas lindas notas sempre perdem-se no ar... E, talvez, chorar seja inevitável, mas um anjo infeliz sempre limpa suas lágrimas e diz adeus.
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