domingo, junho 19

Disillusion

É cedo. Os primeiros raios solares de um dia sombrio penetram em meus vitrais e uma onda de calor repentinamente toma conta do meu ser. Desperto e tão logo encontro-me curiosamente alegre, pois acabo de notar teu peito sob minha cabeça... Meu interior tão logo afoga-se em um mar de euforia, pois tu não fostes embora.
Sigo feliz para meu martírio diário, pois tu me acompanhas. Tua figura segue-me por entre os corredores do labirinto da minha rotina, vestindo aquele sobre-tudo amarelo que me enloquece, fitando-me com aqueles olhos castanhos e sorrindo-me com expressão acalorada e dissimulada. Me proteges até o triste momento em que minhas botas manchadas de sangue escarlate infelizmente trazem-me de volta ao meu recanto de névoa e à minha triste condição.
Entro em meu casulo negro e tão logo encontro-me raivosa pois, mesmo que eu não aceite, a ausência da tua presença persiste em me assombrar e me faz estremecer estranhamente... E, mesmo que eu perlute em idealizar um personagem igual a ti, nada ele será além de uma miragem, uma imagem ilusória, criada para satisfazer meus anseios particulares. Tu não estavas lá. E, quando consigo, enfim, conformar-me, minha realidade se esvai e, ao retornar, traz consigo meu grande aliado: o último suspiro, que me faz ver-te e me dá poder para venerar-te por toda a eternidade, mesmo que não saibas.

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