quinta-feira, outubro 20

Inferno

Estava no Limbo, entre aqueles que não são considerados salvos nem condenados, quando uma alva aura iluminou-me e disse-me que, nessa vida, de nada importam amores e contradições... Falou-me que amores são seculares, e que passam com o tempo; e as contradições, ah! as contradições... não existem! Disse-me ainda que todos aqueles que acreditaram em alguma existência de tais jaziam em um pequeno vale.
Implorei que levasse-me a esse vale e, ao seguí-la, atentei-me em observar o destino de almas que não agradaram a Deus e nem ao demônio... A todo momento clamavam por minha ajuda e estendiam-me suas mãos fétidas, onde corriam larvas que alimentavam-se do líquido rubro que escorria de imensas crateras abertas em suas dermes.
Compadeci-me e, ao estender minha mão a uma delas, eis que a sublime aura impediu-me... Desse modo, compreendi que crer em homens não é a opção mais sábia a se fazer... Nunca fora.
E aqueles que não compreendem, tolos se fazem, pois deixam de ver que a única sentença existente no mundo é a morte, e tudo que fazemos ou pensamos fazer, é em função dela. Dessa alva aura sentencial que nos permite enxergar o que não queremos ver.

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