No início, escolhi a solidão. Arrependi-me. Voltei atrás. Decepcionei-me. Entreguei-me ao amor. Magoei-me. Sofri. Decidi ser fria. Consumi minha alma silenciosa e fatalmente. Morri.
E, durante este turbilhão de mudanças, a pena acompanhou-me. E, durante este turbilhão de certezas, a dor acompanhou-me. Ainda assim, tua pele gélida sufocou-me em meio ao deserto do meu coração. Dói-me ter que decidir entre deixar-te só ou ficar ao teu lado. Ser escravo da decisão sempre consumiu-me demasiadamente. Queria poder sair de minha tenda e ir à tua, queria deitar-me contigo, sentir teu cheiro, ouvir as batidas do teu coração clamando por mim, tocar teu corpo, dar-te o meu amor e receber o teu em troca...
Mas não posso, pois o lacre da distância sela a porta da minha tenda com um estranho sinal, deixando-me solitária naquele paraíso amarelado. E até o dia em que, finalmente, pudermos unir nossas almas em matrimônio, essa angústia me acompanhará, e prosseguirei correndo para braços invisiveis que me dilaceram, continuarei a ouvir gritos abafados que me ensurdecem e continuarei morrendo de dores, anestesiada pela inerte felicidade de poder decidir meu futuro.
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